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Desigualdades persistentes, identidades obstinadas: coletânea de artigos sobre racialidade na população afro-uruguaia

11 de dezembro de 2020
Desigualdades persistentes, identidades obstinadas

Capa do Livro Desigualdades persistentes, identidades obstinadas.

Como parte das atividades de comemoração do dia do Candombe, Cultura Afro-Uruguaia e Equidade Racial, no Uruguai, foi apresentado o livro “Desigualdades persistentes, identidades obstinadas. Os efeitos da racialidade na população afro-uruguaia”. O livro, coordenado por Mónica Olaza, constitui uma importante contribuição para a desnaturalização do racismo e suas consequências na sociedade uruguaia.

A coletânea de artigos aborda diversas temáticas sobre os efeitos da racialidade. A obra parte das reflexões sobre a comunidade Afro-uruguaia, entendendo que “centrar o olhar de forma qualitativa num setor da sociedade ilumina o restante”. Assim, a reflexão avança para outras formas de racismo na sociedade, associadas ao esquecimento e a negação dos povos originários, as demandas atuais das populações descendentes desses povos, bem como a invisibilização etnocultural. Da mesma forma, o livro abre novos caminhos para refletir, também, sobre a atual discriminação contra a população migrante latino-americana e caribenha.

A racialização da população não branca no Uruguai não aparece visível, mas gera profundas desigualdades multidimensionais e persistentes para as populações racial e etnoculturalmente diferenciadas. Assim, os componentes simbólicos e culturais podem perpetuar as desigualdades econômicas e sociais.

Conteúdo do Livro

O livro apresenta um rico material que aborda diversas questões associadas a raça e racismo. Inclui artigos sobre interseccionalidade e políticas públicas; seletividade penal étnico-racial; saúde mental e racialização; despejos da população afro-uruguaia em Montevidéu; educação e a brecha digital racial na pandemia; o ensino da sociologia, a racialidade e a visão eurocêntrica; crianças afrouruguaias e a questão da raça, gênero e pobreza; violência de gênero racializada nos corpos das mulheres negras; o racismo epistêmico na academia e a “invenção do negro”; espaços afrocentrados no âmbito universitário; por fim, o livro inclui um artigo que se debruça sobre a história de dois importantes integrantes da cultura afro-uruguaia, Juan Julio Arrascaeta e Jaime Esquivel.

Esta obra constitui um importante referencial para a discussão sobre a questão de raça nas sociedades latino-americanas, a partir dos diversos olhares sobre a realidade uruguaia.

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